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Três dicas rápidas com o tema cinema

Três dicas rápidas com o tema cinema

Postado por em fev 5, 2015 em Blog, Cinema, Literatura, Moda | 2 comentários

Estamos perto de dois grandes eventos, Carnaval (17/2) e Oscar (22/2). Festa, filmes e feriado. Juntei tudo num tema só, com dicas que servem para quem curte um sossego gostoso ou para quem quer sair bonito no bloco. O cinema é o elo.

Um filme sobre um filme (e sobre teatro também)

Sentei no escurinho do cinema sem saber quem era o diretor do filme que ia ver. Só soube o nome quando os créditos subiram. Poucas vezes isso aconteceu. Sou jornalista e o mundo a minha volta acaba não deixando que eu tenha momentos de (doce) ignorância como esse. Sim, por que acho bom ser surpreendida pelo que vem pela frente. Detesto spoilers, num nível que às vezes olho para baixo em trailers (sou louca?).

Bom, digo isso, pois o responsável pela direção de Birdman (2014) é um sujeito tarimbado. Não vou falar quem ele é nem quais foram seus trabalhos anteriores, mas, vocês, amigos meus, pelo menos a maioria, já devem saber. Só digo que são muito diferentes desse. E muito bons. Mas, esse é melhor.

Me apaixonei por tudo. A trilha sonora, que é uma bateria apenas, tocando no ritmo tenso da movimentação do protagonista, é original e perfeita. Me apeguei na batida, pois uns dias antes vi Whiplash (2014), também dessa safra do Oscar, e to curtindo uma batera. Os vários planos-sequência, a montagem, a fotografia, a direção de elenco, tudo é bom. Sobre o time de atores, só sabia da presença de Michael Keaton, no papel principal, e de Emma Stone. E aí ~uau~ temos também uma versão pós-dieta de Zach Galifianakis, o gordinho de Se Beber não Case (2009), que continua brilhante mesmo sem os quilos a mais, Naomi Watts, impecável e tão musa quanto Emma, e Edward Norton, que há algum tempo não nos presenteava com uma atuação nível Clube da Luta (1999). Aliás, ele e Keaton concorrem ao Oscar nas categorias de ator e Emma na de atriz coadjuvante. O filme foi indicado a nove estatuetas ao todo.

Da história, só vou contar que é sobre um ator que fazia um personagem dos quadrinhos, o tal Birdman, em Hollywood. Anos depois da fama alcançada com o blockbuster, ele decide montar uma peça de teatro na Broadway. Nós então, acompanhamos seus dias de ansiedade antes da estreia. É claro que tem muito mais, contudo, quero que você se surpreenda tanto quanto eu.

Michael Keaton e Edward Norton “revivendo” Clube da Luta
michael edward clube da luta birdman

Fiquei vidrada no figurino da Emma Stone. Não tem nada de mais, só que é todo preto, chumbo e roxo, bem escuro, deixa a pele dela pálida, acinzentada, para combinar com o contexto da personagem. É de propósito, claro. Eu estou estudando essas paradas de estilo e reparei. Cores são importantes na vestimenta. E muito bem trabalhadas no cinema. Em 500 Dias com Ela (2009), o diretor pediu para pesarem a mão no azul do figurino da Zooey Deschanel com o intuito de destacar seus olhos. Isso sem falar na filmografia toda do Wes Anderson. Segurem essas infos, no momento apropriado volto no assunto aqui ;)

Adereços que parecem tirados de um filme (ótimos para o carnaval)

Sou uma pessoa bastante urbana, acho. E prática. Mas, dizem que com a idade a gente vai se soltando, né? Bom, estou cada vez mais com vontade de me montar a.k.a enfeitar. Quando vi o perfil do Instagram da Can Can Acessórios achei tudo tão lindo que precisei conferir ao vivo.

Fui até o ateliê em Pinheiros e conheci a Fernanda Guimarães, designer responsável pela marca, que existe há seis anos e está com ateliê próprio em São Paulo há dois. Os adereços de carnaval são uma belezura e vão enfeitar as cabeças de bonitas no Balie da Vogue, do Copa e dos blocos mais animados de São Paulo, Rio, Minas e Brasil afora.

São cocares, tiaras com arranjos de fruta para fazer a Carmem Miranda, penas de melindrosa, cartolas de colombina… Fernanda veio da equipe de estilo da Fábula, marca infantil da Farm, então a pegada lúdica e a vocação para adornar as mulheres estão explicadas ;) No Blog da Can Can, dá para ver as inspirações, modos de usar, novidades, vale a visita! Ah, e os hipster moços mais livres de espírito podem aderir à montação, tem fotos boas lá para ajudar no look.
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A marca também tem linhas regulares de acessórios para usar em qualquer ocasião, como colares, coroas de flores, chapéus e pentes de cabelos (meus preferidos). Em março, deve chegar a coleção de noivas.

Além do ateliê, a Can Can tem e-commerce. Nesse sábado (7/2/15), o espaço, que fica na João Moura, 498, casa 2, em Pinheiros, São Paulo, vai realizar um “auezinho”com descontos progressivos, música, chup-chups (sacolés, gelinhos, escolha sua nomenclatura hahaha), maquiagem, entre outros agradinhos.

Um livro de receitas de filmes (e de séries também)

Cozinhar e comer, duas coisas tão trivais, tão necessárias a nossa sobrevivência, que hoje ganharam uma aura de glamour, de fetiche. Quando posto foto de comida no Instagram é um engajamento tão alto, só perde para cerveja! (Por que será? ;)) Bom, acho que fetiche alimentício sempre existiu né? Uma questão socioantropológica que talvez a autora desse livro possa me responder. Já o glamour, eu acho que é um fenômeno atual.

E se o mundo gourmet se unir ao dos filmes e séries, assunto explosivo e passional, que gera até briga entre amigos (falei da questão de spoliers dois posts acima, então, nego se mata) o que pode acontecer? O que acontece, é altamente incrível. Um livro com as 100 melhores cenas gastronômicas de filmes e séries de TV, com receitas testadas e aprovadas por uma chef. Textos gostosos, dicas fáceis e ilustrações lindas.

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Cozinha Pop nos faz lembrar, rir e até falar sozinho a cada página. E também nos faz salivar. E nos tira por um, ou vários, momentos da vida online. Nos dá vontade de cozinhar, de apenas cortar uma cebola com o boy ou com as amigas, tomando uma taça de vinho. Saborear uma boa comidinha e depois ir atrás daquele filme que ainda não vimos, mencionado no livro. E, por fim, curtir a página lá no Feice  e dar sugestões para o volume dois. – duvido que não vai surgir alguma. Ah, e se você for instagramer, tudo bem tirar foto do prato preparado com uma receita do livro, só não esquece as hashtags #cozinhapop #ninguemperguntou ;)

Fotos Birdman: Fox Searchlight/divulgação

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O fotógrafo e a cidade

O fotógrafo e a cidade

Postado por em fev 1, 2015 em Blog, Cinema, Destaques, Moda | 0 comentários

Imagine alguém que passasse 50 anos fotografando regularmente as pessoas nas ruas de uma grande metrópole, que as observasse na maneira de se vestir, de usar o cabelo, nos hábitos, nas coisas que carregam em seu dia a dia. Imagine que todas essas fotos, além de publicadas estivessem muito bem catalogadas e guardadas, em seus devidos negativos, em dezenas de fichários. Agora imagine que esses fichários estivessem todos na casa do fotógrafo. Que não é bem uma casa, mas sim um minúsculo apartamento, que nem cozinha e banheiro tem. Pois esse cenário existe. E nele reside um dos maiores fotojornalistas de todos os tempos, que é também um mestre do estilo e uma pessoa adorável.

E você pode conhecer sua história no excelente documentário Bill Cunningham – New York, que o acompanha em sua rotina clicando a moda das ruas e também conta seu passado profissional. Um filme que agrada a qualquer um, seja simpatizante da moda ou não. Isso porque, a carreira do  fotógrafo é bastante interessante e o registro histórico que faz da cidade, sensacional. Seu estilo de vida é tão importante quanto daqueles que fotografa. Dá uma olhada no quarto dele, ocupado pelos fichários de negativos, na foto aí embaixo, para ter uma ideia do figura. A obra já foi lançada há algum tempo (2011), demorei bastante para ver, até que enfim o fiz e recomendo muito que você o faça também.
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Aos 85 anos, Bill publica uma coluna semanal no site e na versão impressa do The New York Times, desde 1978, onde mostra o que coletou circulando de bicicleta pela cidade, capturando o estilo dos transeuntes. Seu olhar carrega uma estética apurada, assim como um viés antropológico. Suas fotos mostram o que há de comum entre a massa (e se pode chamar de tendência), mas também a grande diversidade de estilos, contradições que formam a personalidade de uma grande metrópole.

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O veterano fotógrafo não deixa de cobrir portas de desfiles e eventos da sociedade e do circo fashion, como fazem colegas renomados e muito bons como Scott Schuman, Garance Doré e Yvan Rodic, porém ele segue ainda mais próximo do cotidiano, verdadeiramente das ruas. Afinal, aqueles que vão às semanas de moda e afins se preparam para ser vistos, tem informação e acesso a produtos antes de todo mundo. Ou seja, estão imersos na indústria da moda e, apesar de criativos e com alto senso de estilo, não têm um ímpeto tão espontâneo ao montar uma combinação de roupas quanto um cidadão qualquer, flagrado na rua. Os fashionistas são ótimas referências de moda, contudo não geram tanta empatia e identificação com a maioria das pessoas.

Além disso, a visão de Bill do que vale um clique, de que estilo está acima da moda, de que beleza está no inusitado, no espírito que se expressa na roupa, no inovador, é muito inspirado. Seu posicionamento, como observador dos fatos, é encantador. Chega a ser excêntrico. Quando vai a um evento, não aceita nem um copo d’água, afinal, está ali a trabalho. Por anos, não recebeu salário de uma revista, se recusava, pois acreditava que o dinheiro o faria dependente das imposições editoriais e ele queria fotografar de forma livre e autoral.

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No Brasil, temos o RIOetc fazendo um trabalho muito legal de registro do estilo carioca, porém ainda acho que falta alguém que retrate mais o povo da rua. Em São Paulo, alguns veículos da imprensa fazem de vez em quando, em shows e festivais, ou pontualmente para mostrar alguma tendência, mas ainda não conheço algum fotógrafo – blog, tumblr, Instagram – bacana. Se alguém tiver um para indicar, conta aqui, por favor.

Fotos: First Thoughts Films /Zeitgeist Films

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Não Sou uma Dessas, o livro da Lena Dunham

Não Sou uma Dessas, o livro da Lena Dunham

Postado por em jan 26, 2015 em Blog, Literatura, TV | 0 comentários

Não Sou Uma Dessas é a autobiografia de Lena Dunham, que é atriz, escritora, roteirista, diretora e produtora. Ela bateu cartão em todas essas funções no filme independente Tiny Furniture, em 2010, e atualmente na série da HBO Girls, que está em sua quarta temporada e é exibida pelo canal aqui de domingo para segunda-feira, às 0h. O show já foi indicado para todos os grandes prêmios da TV norte-americana e ganhou um Globo de Ouro de melhor comédia. A moça tem 28 anos e já fez tudo isso.
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Quando se pensa em uma biografia, logo se avalia as credenciais ou a idade do biografado para saber se a obra merecia ganhar vida. Não é? Bom, Lena já conquistou muito bastante jovem, portanto parece que rende um personagem. Mas, acho que isso não importa. Para me explicar, vou usar uma cena de sua série – não tem como não falar do programa aqui, porém prometo que serão spoilers beeeem de leve, detesto estragar a diversão alheia e espero com eles causar mais interesse e gerar fãs para as meninas.

A personagem de Lena em Girls é baseada nela própria. A dita cuja, Hanna, participa de um workshop literário e seus colegas criticam ferozmente o texto que ela apresentou, argumentando que a história era muito baseada em eventos pessoais. A professora então interrompe e diz: tudo o que entrar nessa sala será tratado como ficção.

O livro de Lena não deve ser julgado como pretensioso por ter sido colocado no mercado como uma autobiografia por uma autora tão jovem, sua idade também não pode ser impeditiva para que um leitor goste ou não dele, nem o fato de que ela seja uma menina, ou uma nova-iorquina, ou tenha uma vida distante da minha – ou da sua. Uma obra é boa por si, ou o inverso. Já li e vi tantas coisas, de tantos autores, de tantas vidas e enredos tão longíquos. Quando via Sex and The City, Seinfeld ou Friends eu não tinha a idade dos personagens. Quando leio Jorge Amado, eu não ando descalça correndo por dunas ou pelos paralelepípedos de Salvador. Digo isso, sim, para rebater certos argumentos que vi por aí.

Leninha na pele de Hanna
lena Dunham

Bom, vamos lá. O inicio da obra já tem um aviso bem claro: sua autora é feminista. Isso, achei muito bom. Corajoso, sem imparcialidade. Trechos que contam como ela já foi subjugada no ambiente dos negócios em Hollywood, por ser uma garota e não um homem maduro e engravatado são muito bons. É muito importante também o fato de que Lena coloca em pauta questões como a quebra dos padrões que são impostos pela mídia e corroborados pela sociedade, de beleza, juventude e sucesso. Não é preciso ter a imagem “certa” para seguir por esta vida. Por outro lado, algumas passagens, que me fizeram questionar se estamos realmente apartadas por uma tênue linha geracional, pareceram por um momento bobas e desinteressantes. Contudo, após ter visto uma maratona de Girls antes do Natal, percebi que não, o problema foi que Lena contou muito de suas experiências já vistas na série. Como quando experimenta cocaína ou consegue emprego em uma loja de roupas infantis. Eu estava lendo Lena ou Hanna? Não sei, tanto faz, mas o problema é a repetição. Afinal, conflitos da juventude, drogas, sexo, festas e desajustes comportamentais são material literário tanto quanto guerras, utopias, realismo fantástico e romances. Ou você vai contestar Fante, Kalvert e Bukowski?

Falta, entretanto, um pouco mais de firmeza na pena de Lena. Alguns assuntos são tratados de forma jogada, pueril. Não pelo tema, e sim pela forma. Foi uma impressão. Nesse ponto sim, talvez, a experiência traga mais valor à sua escrita. Alguns capítulos são rasos, crônicas, descrições dos fatos. Uma linguagem muito própria dos tempos atuais, de blogs e posts de Facebook. Até aí, problema nenhum. Mas, quando Lena deixa de se aprofundar para dar somente pequenas contribuições subjetivas, parece algo muito narcisista, de alguém que não sai da sua casca. Ainda assim, poderia ser uma obra primorosa, a primeira pessoa da narrativa pode ser narcisista, por que não? Só que carece de profundidade, de sofisticação, de desenvolvimento. Se ela fosse mais a fundo em suas próprias amarguras, talvez saísse da pasmaceira e conquistasse um estilo mais sólido. Em alguns capítulos ela chega lá, em outros não. Acho que nas telas ela se sai melhor. No livro, inclusive, ela conta que quis tratar de um assunto de abuso sexual em Girls e os demais produtores disseram, não, isso não é engraçado. Fato que até abriu seus olhos para o ocorrido. Com uma equipe, ela lapida melhor a catarse em arte, talvez?

O veredito é: o livro vale seu tempo. É bom. Três estrelas de cinco. Já a série, quatro e meia. A trilha sonora, cinco (aí embaixo, para você).

Fotos: IMDB e Facebook de GIRLS HBO</>

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