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Roteiro cervejeiro em Berlim

Roteiro cervejeiro em Berlim

Postado por em dez 1, 2014 em Blog, Viagem | 0 comentários

Alemanha e cervejas são indissociáveis, então, ir para lá e não beber algumas parece um desperdício. Nada mais adequado, portanto, do que um roteiro com os melhores lugares para tomar e comprar cerveja em sua capital, a cidade mais legal da Europa, feito pela minha querida amiga Veronica Menzel, mestre na arte e residente local. Quando fiquei uns dias em Berlim, ela foi minha anfitriã, então imagina o bem que passei ;) Alguns desses lugares também conheci, então dei meus pitacos. Acho que ficou muito bom. Talvez o melhor dos últimos tempos. Divlguem hahahha

Vamos por itens:

1)Microcervejarias e brewpubs – produtoras que têm um bar/restaurante para os clientes

Hops & Barley - Wühlischstr. 22/23
O bairro onde fica essa pequena cervejaria chama-se Friedrichshain e é um dos mais agitados e badalados de Berlim, repleto de bares, restaurantes e baladas. O Hops & Barley é muito aconchegante e dá para provar suas ótimas cervejas por lá mesmo. Além das clássicas da casa, eles fazem mais de uma especialidade sazonal e o mestre cervejeiro é muito gente boa! Às quintas-feiras costuma rolar jazz ao vivo e se não chegar cedo fica impossível sentar. No verão, a casa abre um espaço com mesas na rua, no estilo Biergarten, que fica sempre cheio e animado. É uma ótima opção para tomar boas cervejas artesanais!

Nota da Camila: é comum na Alemanha os espaços Biergarten (ou Beergarden) que são áreas ao ar livre, com mesinhas e jardim, algumas vezes com mais de um fornecedor de cerveja e também com comidinhas. É uma delícia parar em algum desses para passar um tempo. Geralmente, a comida oferecida é o currywurst com batatas, um prato de rua tradicional que consiste em salsicha com molho agridoce parecido com catchup, acompanhada de fritas. Eu adoro!
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Biergarten em Berlim

Brauhaus Lemke – Dircksenstr. 143 – Hackescher Market e Luisenplatz 1
Microcervejaria também muito boa, especializada nos estilos clássicos alemães, sem grandes inovações. As cervejas são bem feitas e gostosas. O restaurante é muito bonito e agradável e tem uma excelente comida alemã, com bons preços. Eles têm dois endereços em Berlim, um no centro, perto da Alexander Platz, que fica embaixo de uma linha de trem (em Hackescher Market) e o outro em frente ao castelo “Schloss Charlottenburg”, por isso quando for ao castelo uma boa recomendação é acabar o passeio na cervejaria, regado a delicias típicas alemãs!

Nota da Camila: uma dica para comer aqui é o spätzle, uma massa grossinha, semelhante na consistência a um nhoque, mas que é cozida num formato compridinho. Na Brauhaus Lemke, é servido com queijo e brócolis. Maravilhoso e acho que nem tão comum no Brasil.

Heidenpeters
Cervejaria artesanal relativamente nova em Berlim e o mais legal é que ela fica dentro do mercado de comidas Markthalle Neun. Ou seja, une-se o útil ao agradável! O mercado é fofo e tem diversas opções de alimentos gourmet e tradicionais. As cervejas são gostosas e a mais famosa é a “Thirsty Lady” que é do estilo American Pale Ale, de cor alaranjada, relativamente leve mas com um sabor balanceado e tem um aroma bastante frutado, com características cítricas. Não espere encontrar as instalações de um bar, a cervejaria é apenas um estande com umas duas mesinhas, mas toda a infraestrutura do mercado está à disposição para ser usada – mais mesas, banheiros, outros estandes para pegar uns petiscos que acompanhem a bebida… vale a pena!

Nota da Camila: provamos a Saison e também é boa!
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Entrada do Mercado

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Estande da Heiden Peters

Rollberger Brauerei – Werbellinstrasse 50
Uma ótima opção para tomar boas cervejas no bairro Neukölln (um dos mais alternativos de Berlim), que fica mais ao sul da cidade. A Rollberger não é tão conhecida e é justamente essa sua graça: ir até lá é fazer algo que os locais fazem! Inclusive suas cervejas são fornecidas para muitos bares e restaurantes no próprio bairro. É também uma brewery mais focada nos estilos tradicionais na Alemanha como Helles, Weizen, Rotes, Maibock e agora fazem a Winterbock. A Winterbock é especialmente boa nesta época do ano, pois no inverno cai muito bem uma cerveja escura, encorpada e mais alcoólica, para esquentar. (No Hemisfério Norte agora está fazendo frio, né).

Pfefferbräu – Schönhauser Allee 176
Este brewpub fica numa localização especial: em um morro chamado Pfeferberg, no bairro de Prenzlauerberg, considerado mais chiquezinho em Berlim. A cervejaria e o restaurante são lindos, supernovos, com uma decoração simples, mas muito bonita. No verão, abrem o Biergarten, na frente do restaurante, e é uma delícia sentar lá. Ainda não fazem muitos tipos de cerveja, mas as que produzem atualmente são boas (os tipos são Helles, Dunkles e alguma sazonal), sem grandes inovações ou excentricidades, talvez para não assustar o tradicional consumidor de cervejas alemão!

Alte Meierei (Potsdam) – Im Neuen Garten 10
Essa cervejaria fica em Potsdam, cidade vizinha de Berlim, a mais ou menos 40 minutos de trem, e é um ótimo passeio de um dia. Lá também fica o famoso castelo Sanssouci, que é imperdível. A cervejaria – tão imperdível quanto – fica à beira de um lindo e enorme lago, em uma antiga fábrica de laticínios (Meierei, da qual herdou o nome). O lugar é mesmo fantástico e as cervejas também. No verão, eles têm uma Berliner Weisse muito boa, que é um estilo antigo de sour beer, típica da região de Berlim, já foi muito consumida, mas está quase extinta nos dias de hoje. É uma cerveja bem leve com aproximadamente 3 – 3,5 % de álcool, ligeiramente azeda e com aroma especialmente frutado, devido ao uso da levedura Brettanomyces. É muito fresca e perfeita para tomar em dias quentes!

Nota da Camila: como assim eu não fui para Postdam? hahaha
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Vista da Cervejaria Meierei

2)Bares de cervejas especiais – não produzem cerveja, mas vendem boas

Hopfenreich
Um dos bares preferidos da Veronica em toda a cidade.

O lugar é uma graça, tem uma chopeira lindíssima construída com máquinários antigos, sobre a qual senta um pequeno porco espinho. Eles têm a maior quantidade de cervejas artesanais no tap (tipo chopeira) da cidade! Costumam dar prioridade para cervejas artesanais da Alemanha, mas têm sempre surpresas e especialidades do mundo todo. Organizam vários eventos de degustações com a presença dos mestres das cervejarias convidadas e por isso é um ótimo lugar para quem gosta de beber e falar de cerveja!

Nota da Camila: tá com o Alemão afiado? ;)

Herman
Este também é um top favorito: o Herman é um bar pequenino, que não tem nem placa, na frente só uma lousa onde se lê “Belgian Beers”, com uma bandeirinha da Bélgica pintada do lado. O dono, um belga muito figura chamado Bart, entende profundamente das cervejas belgas que vende. Uma dica para quem gosta de trocar ideia é sentar no balcão para ficar conversando com ele e aprendendo um pouquinho mais sobre as maravilhas que tem lá!

Nota da Camila: acho uma boa aproveitar para tomar uma Lambic, se o figura tiver. Esse é um tipo raro e caro de cerveja belga, que é fermentada espontaneamente com levedura e tem um sabor mais azedinho. No exterior vai ser cara também, mas no Brasil é um olho da cara!

Ja.Ok. Craft Beer & Food – (Karl Marx Alle 109)
Esse acabou de abrir no último verão e vem organizando muitos eventos com diferentes cervejarias artesanais da Europa como, por exemplo, a hypada Brew Dog. Além disso, oferecem muitas variedades no tap, no mínimo 10 a 15 cervejas diferentes, que são bem interessantes de provar. Eles investem também na qualidade da comida e organizam “food and beer pairing”. O lugar em si não parece tão legal, mas como tem muita variedade da bebida, movimento no mundo cervejeiro e um elo com o mundo foodie, a visita vale a pena.

3)Beer shops:

Essas duas lojas foram escolhidas com carinho por quem entende do riscado!

Bierlieb Beer and Homebrewstore – (Petersburger Str. 30, Friedrichshain, não tem site)
Abriu faz pouco tempo, a loja é fofa e tem boas opções para quem gosta de experimentar novas sensações! Também organiza eventos de degustação e cursos de produção de cerveja caseira.
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Bierlieb Beer and Homebrewstore

Hopfen & Malz  –  (Triftstraße 57)

Essa é a loja de cervejas mais figura e divertida de Berlim, fica no bairro Wedding. Diz a Veronica: “o dono é um tiozão roots que quando você não conhece dá um pouco de medo, mas aí, depois que fui apresentada pelos amigos cervejeiros, ele foi um amor. Ele está sempre sentado em caixas de cerveja na rua, na frente da loja, com outros tiozões bebendo e fumando. Além destas peculiaridades, a loja também tem um ótimo sortimento de cervejas”.

Nota da Camila: Hahahaha adorei! Então, pode ir sem medo, mesmo parecendo uma coisa meio máfia, por que cervejeiro sempre tem bom coração.

A Veronica é mestre cervejeira na cervejaria-piloto do VLB Berlin, que é um instituto de ensino e pesquisa e um prestador de serviços para a indústria cervejeira e de bebidas. O VLB desenvolve estudos para cervejarias do mundo inteiro.

No site é possível descobrir tudo o que o VLB faz e ler sobre os diferentes cursos, workshops, conferências e serviços oferecidos. Vai gente de todas as partes para lá, para aprender mais sobre o mundo da cevada e do lúpulo, inclusive brasileiros. Eu conheci as instalações e posso dizer que o lugar é bem bacana.
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Lúpulos que eu mesma colhi no VLB

Ela se formou mestre cervejeira no “Certified Brewmaster Course” do VLB, em 2011, que é um curso internacional e existe nesse formato desde 2006. É ministrado em inglês e dura seis meses, com período integral de aulas. Durante o curso, os alunos também fazem diversas práticas em laboratórios (aprendendo inúmeras análises físico-químicas e microbiológicas de cerveja e outros componentes do processo, como por exemplo, água, lúpulo, malte, mosto etc), assim como participam de várias práticas de produção (controle de fermentação, filtração etc) na cervejaria.

A Veronica trabalha no instituto desde agosto de 2011: passou pelo laboratório de projetos e está há um ano como mestre na cervejaria.

Fotos: Myheimat, Yelp e Pferfferbräu

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Musa: Jessica Lange

Musa: Jessica Lange

Postado por em nov 25, 2014 em Blog, Moda, TV | 2 comentários

Now she walks through her sunken dream
To the seat with the clearest view

And she’s hooked to the silver screen
But the film is a saddening bore

‘Cause she’s lived it ten times or more
She could spit in the eyes of fools as they ask her to focus on
Life on Mars?, David Bowie

Antes tarde do que nunca. Não sei se atribuo a frase a mim mesma, a todo mundo, a Hollywood, a própria atriz ou a um de seus personagens. Fato é que agora a vejo no Olimpo, ao lado de Meryl, Julianne e Fernanda. Pois é, entrei para o grupo dos fãs de American Horror Story (AHS). Assisti às três temporadas e meia de uma vez – o que faço agora com um episódio por semana, somente?

Bom, estou falando de Jessica Lange. Ela ganhou fama e reconhecimento no final dos anos 70 e começo dos 80. O primeiro Oscar veio por seu desempenho como atriz coadjuvante em Tootsie, uma comédia maravilhosa com Dustin Hoffman, em 1982. Já o primeiro sucesso veio antes. Eu, inclusive, tenho a versão de 1976 de King Kong como uma das minhas mais antigas memórias cinematográficas. Também é memorável sua participação em outro clássico das telas, um Scorcese, Cabo do Medo (1991). Em 1994, veio outro homenzinho dourado, dessa vez de melhor atriz pelo filme Céu Azul (quem assistiu?). Muitas atrizes já foram premiadas e tal, mas nem todas ganham realmente aquele status de über estrela, principalmente perante o público, e Jessica passou uns 20 e muitos anos na gaveta.

Jessica-Lang-King-Kong
King Kong

tootsie
Tootsie

jessica meryl 1983
Recebendo o primeiro Oscar, ao lado de Meryl Streep, que levou de melhor atriz por A Escolha de Sofia

O passado provava que muito talento e beleza ela tinha, só faltava alguém resgatar. Um pouco antes dos espertíssimos produtores a escalarem para AHS, ela fez o papel de Big Edie, ao lado de Drew Barrymore, em Grey Gardens (2009), um filme para TV que virou cult. E por ele, ganhou um Emmy de melhor atriz. Uma ocorrência que temos visto muito: obras e performances da telinha superarem as da telona. Como não posso deixar de fazer: eu recomendo muito assitir. Infelizmente, não consegui encontrá-lo disponível em meios legais para dar a dica. Sorry.

Seu estilo em AHS é uma ótima inspiração de moda. A cada temporada, surge uma personagem com suas próprias características, mas todas têm um ar de femme fatale retrô. Mesmo que o enredo se passe em tempos contemporâneos, o figurino sempre traz um perfume de outras décadas, o que combina com suas feições delicadas como as de atrizes de film noir, herdadas da mãe finlandesa e do pai alemão. Jessica também fica perfeita emulando estrelas dos anos 30 e astros do rock com um toque andrógino… porém, não gosto de spoilers, então paro de fazer referências por aqui. Na vida real ela faz uma linha mais classy e sempre aparece lindíssima nos tapetes vermelhos.

jessica very young
DNA de diva

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Jessica como Fiona Goode, temporada 3 de AHS

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Jessica como Elsa Mars, temporada 4 de AHS

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Jessica como Elsa Mars, temporada 4 de AHS

64th Annual Primetime Emmy Awards - Arrivals
No Emmy Awards 2014

Aos 65 anos, ela está com tudo. É garota-propaganda da linha de maquiagens do Marc Jacobs. Seu próximo trabalho em Hollywood será uma comédia dirigida por Andy Tennant, de Hitch, ao lado de Demi Moore e Shirley MacLaine. Suas covers de hits do rock feitas para AHS atingiram picos de vendas no iTunes. O episódio de estreia da atual e quarta temporada da série teve a maior audiência da história do canal FX, onde é originalmente transmitida nos EUA, com 10 milhões de espectadores.  E a atriz está NEGOCIANDO sua participação na próxima. O produtor-executivo disse que não desistirá dela fácil. Esperamos que a senhora Lange veja o tremendo sucesso que pode deixar para trás. Cabe mencionar que esse trabalho já lhe rendeu dois Emmys e um Globo de Ouro. Sempre dá para encaixar um filme entre gravações. E ganhar outro Oscar. Todos rezam.

Como sambar na cara da dramaturgia é pouco, ela ainda é uma exímia fotógrafa, com dois trabalhos publicados, QUE SERÃO APRESENTADOS EM SÃO PAULO, em fevereiro de  2015.  E a artista deve vir para a abertura da exposição, tá?

elle EUA november
Capa da revista ELLE dos EUA, novembro de 2014

Bônus e mini spoiler: Você não precisa baixar as músicas que Jessica Lange canta em AHS. Fiz uma playlist da série :)

P.S. Se Jessica te causou interesse em American Horror Story, vá em frente. Como me disse a Márcia, do blondenoir – que sempre tem ótimas dicas culturais – você nem percebe e já está aplaudindo o desempenho de Lange na série em pé, sozinha, no meio da sala. Cada temporada tem uma história diferente e independente da outra, mas com um elenco-base que se repete. A primeira começa muito bem e termina mal. Mas, as três que a sucedem são excelentes. Eu acho legal ver desde a primeira, pois é muito divertido acompanhar o elenco “reencarnando” em novas histórias. Todas contam com Jessica Lange. E, à partir da segunda, atores muito bons como Sarah Paulson, Evan Peters e Lily Rabe ganham mais espaço, enquanto o time recebe grandes reforços com Kathy Bates, Emma Roberts e Angela Bassett. O Netflix tem as duas primeiras e a Net promete colocar em breve todas no Now. A quarta temporada está no ar na FOX.

Fotos: NY Post, IMDB, Elle, FX, Just Jared

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Esse tal de Normcore

Esse tal de Normcore

Postado por em nov 20, 2014 em Blog, Moda, Tendências | 4 comentários

Em outubro de 2013, a Box 1824 e a K-Hole divulgaram um estudo definindo uma nova tendência de comportamento no consumo, o Normcore. Tais empresas ficam de olho em novidades socioculturais que despontam, sinalizando caminhos que em breve serão seguidos por todo mundo. O Normcore, no caso, é  “a atitude de transcender a diferenciação industrial em vez de contrapô-la”. Ou seja, abraçar o que é popular, sem se submeter a ele, sem se preocupar em ser mais um, mas sem perder a identidade. É não ter medo de estar com todo mundo, de ser normal.

Outra definição muito vista por aí é “a moda de Seinfeld”, que até virou meme, em referência ao estilo básico, normal, dos personagens da série sobre o nada. A moda sobre o nada?

Pouco mais de um ano depois, passada a edição de inverno 2015 do São Paulo Fashion Week, vimos pipocar matérias falando sobre isso, mais de um estilista declarando que o Normcore foi a referência de sua coleção e fashionistas descrevendo o look do dia como sendo da tendência. Ou seja, o que antes era um papo teórico, agora atingiu o que consumimos.

Por isso, nesse post, pretendo explicar o que é esse tal de Normcore e permear com a minha opinião. O que mais tenho visto na imprensa nacional são guias de como se vestir na tendência. Assim como o pessoal da Box, acho que é mais do que um modismo da indústria, é algo comportamental, portanto mais abrangente. E mais forte do que parece, por isso, relevante.

Como o Normcore se formou

Vejo que alguns pontos culturais e de comportamento se encontraram, unindo pessoas que antes estavam em diferentes esferas da sociedade, em um mesmo movimento, com atitudes e gostos em comum.

Anos 90, the come back:
O primeiro ponto foi o retorno dos anos 90. A indústria se alimenta do passado para nos fazer consumir. Fato. Não dá para ser tão original assim temporada após temporada. Então, quando distância suficiente é tomada, para bater aquela nostalgia, quando já há uma geração que não viveu aquela década consumindo, ela volta. Pronto. E aquela foi a década dos garotos suburbanos, dos amigos que dividiam apartamento, dos roqueiros de garagem, do estilo das ruas, do moletom, da flanela e do tênis. A única coisa que parecia separar os ídolos de seus fãs era a fama.

Outra vertente dos anos 90, a estética minimalista encontra campo fértil agora para crescer. Após um período em que cada um procurava sua individualidade e assim se expressava de forma a se destacar na multidão, as pessoas parecem cansadas de excessos. O minimalismo, mais neutro e clean, é perfeito para construir uma imagem mais normal. Chega de logos, estampas, ostentação ou expressão rebelde no look. Porém, a limpeza do visual não é uma atitude yuppie de aceitação do mainstream. O Normcore é uma atitude ambivalente, aceita o popular, mas não se submete a ele, é mais um posicionamento de deixar de lado a importância de se distinguir e ser apenas mais autêntico.
gisele Jil Sander 1999
*Gisele Bündchen na passarela de Jil Sander – verão/primavera 1999

Alguns exemplos práticos foram vistos na indústria da moda recentemente. Conhecidas pelo estilo coxinha a Abercrombie & Fitch e a Hollister Co., que são do mesmo grupo, anunciaram que irão estrategicamente reduzir os logos de suas roupas, após queda nas vendas no segundo quadrimestre deste ano. Na outra ponta, a hipster Urban Outfitters também foi obrigada a rever seus produtos por conta do mesmo motivo. A marca passa pelo segundo trimestre de perdas e vem sofrendo um revés de imagem após abusar de seu caráter ousado. Camisetas com frases do tipo “coma menos”, e um moletom com o emblema da Universidade de Kent e respingos de sangue, fazendo alusão a um massacre ocorrido na instituição em 1970, vêm causando aversão a seus consumidores.

Não temos mais idade, nem gênero:
A estética minimalista também se casa com outras duas ~tendências~ galopantes. Ou melhor, como eu prefiro ver, duas barreiras que caíram: gênero e idade. Cada vez mais, o que fazemos, consumimos e usamos não é mais determinado por padrões de gênero ou idade. Eu posso usar a mesma roupa do meu irmão ou da minha avó e vice-versa e reversa. Temos visto diversas manifestações nesse sentido, inclusive publicitárias. Sobre o tema gênero, até EU já fiz post hahahaha. Já a idade, quem se importa com isso? A geração Y ouve música do Pharrell Willians, 41 anos, os baby boomers leem a Tavi Gevinson, 18 anos. E todos nós idolatramos a Jessica Lange.
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*Jessica Lange em campanha publicitária da linha de maquiagens de Marc Jacobs

Uniqlo_Spring_2015
*Imagem do lookbook de primavera/2015 da marca japonesa Uniqlo: meninas e meninos podem trocar os looks

The unfashion:

Assim como os ultrapassados tutoriais de etiqueta, a seção de “certo e errado” de uma revista de moda não tem mais muita força. Nos últimos anos, a moda tem estado menos engessada por mandamentos das passarelas, enquanto a voz das ruas tem ganhado indiscutível relevância. Dessa forma, o estilo próprio e original nunca foi tão verdadeiro. Mas houve tanta ânsia por buscar uma diferenciação, que surgiram estéticas superpoluídas e vazias de sentido. A facilidade de troca e acesso à informações também alimentou esse processo. Hoje, qualquer um copia qualquer um, inclusive as grandes marcas. Assim, o visual alternativo já vem empacotado e pronto para ser comprado. Não tem mais nada de alternativo nisso. E pode até levar a sérios casos de problemas de interpretação – vide o que aconteceu com a Urban Outfitters. Isso fez com que surgisse uma vontade de ir contra a corrente da diferenciação. Ninguém mais quer agir ou parecer muito “malucão”. Se montar todo parece um grito desesperado por atenção.

O minimalismo, portanto, se torna a forma estética confortável, ou viável, que se encaixa em todos esses aspectos. E o popular deixa de ter caráter pejorativo, de medíocre, ordinário, insosso, para ser apenas aquilo que todos gostam, independente de idade, sexo, nacionalidade.

Conclusão:
Normcore é a atitude de transcender a diferenciação industrial em vez de contrapô-la. Não é se misturar e se dissolver. É ter empatia e conectividade. Criamos vínculos quando temos gostos em comum. Normais. Eu estou de acordo com a definição da Box e da K-Hole: “Normcore se distancia de uma noção de cool baseada na diferença e adota um modelo de pós-autenticidade que opta pela igualdade. Porém, ao invés de se apropriar de uma versão estereotipada do mainstream, faz bom uso de cada situação presente. Para ser verdadeiramente Normcore, é preciso entender que o normal na verdade não existe. (…) A individualidade já foi uma promessa de liberdade pessoal — uma forma de viver a vida nos seus próprios termos. Entretanto, esses termos foram ficando tão específicos que acabamos nos isolando. A ideia de Normcore busca uma liberdade proveniente da não-exclusividade. É a libertação em não ser tão especial e o entendimento de que só a adaptabilidade leva ao pertencimento”.

Normcore na moda
Um dos trabalhos mais emblemáticos que vi foi um editorial da Revista Hot and Cool N. 5 (primavera 2013) feito com fotos do Google Street View. Um tapa na cara dos blogs de street style. Isso sim é a coisa real. Gente com roupas legais, de verdade, na rua.

Se você gosta de moda e tem prazer em montar um look, isso significa só uma coisa: tudo bem usar o que você quiser e também, pelo amor de Deus, algo que seja “sem marca” ou não pareça tirado do armário da Anna Dello Russo. Ainda assim, sair com uma calça jeans e um moletom pode ser gostoso, mas demonstrar estilo é usar peças com bom caimento, é deixar com a sua cara, dobrar uma barrinha, adicionar um colar, colocar um sapato diferente, deixar mais bonito. Por que o que é bonito e interessante vai continuar sendo bonito e interessante até o fim dos tempos, não importa a tendência. Sobretudo, é levar em conta a velha máxima de Coco Chanel “A moda sai de moda, o estilo não”. A GAP fez uma ótima campanha aproveitando o Normcore, afinal, os neutros e os básicos deixam sua personalidade brilhar. E esse filme diz muito:

E para os que gostam de ver umas peças de roupas bem combinadas, seguem os três looks que fizeram mais sucesso no meu painel Normcore do Pinterest.

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Fotos: Marc Jacobs, intothegloss.com, Harpers Bazaar/Diego Zuko, Uniqlo

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